sexta-feira, 11 de agosto de 2023

 Ainda sobre os dias dos Pais Caminhando, caminhando pela rua, eu e o meu filho, de repente parece que já havia vivido aquilo, aquela velha impressão que todos temos, aquela que o cérebro parece produzir uma memória do presente. Mas quase como um raio, surgiu a visão do meu avô caminhando do meu lado, conversando, contando suas histórias, que até hoje não sei se eram reais, ou se ele criava para me fazer viajar na sua particularidade de perceber e ler o mundo. Meu avô, sempre tinha uma boa história na ponta da língua que me fazia imaginar diferentes possibilidades de compreender as coisas da vida. Mais três passos, ao piscar, já estava do lado do meu pai, em silêncio com as duas mãos no bolso e com um baixo assovio, bateu em mim uma vontade de falar algo, mas não sabia o que falar, pois sempre caminhei do lado do meu pai com um estranho sentimento de ser grande, de admiração. O pai sempre andava de carro e quando saíamos numa caminhada era algo que deveria ser saboreado. Mais alguns passos, ali estava eu com meu filho, no seu rosto um intrigante sorriso de satisfação, de força. Parecia aquela pessoa que conquista algo inusitado, aqueles dias que conquistamos o primeiro beijo, o primeiro boletim sem vermelho, caminhava como uma criança que recebeu a primeira medalha. Sei que é muito provável que esses passos não fiquem na sua memória, mas desejo que um dia ela perceba o prazer de estar do lado, simplesmente do lado, ombro a ombro, com as pessoas que admiramos, amamos, pessoas que não só foram responsáveis por aquilo que temos de bom, mas que  ensinam a construir a caixa onde guardamos as nossas  melhores emoções. Senti uma forte vontade de pegá-lo no colo, mas compreendi que não podia cortar seus passos pequenos e atentos, passos preocupados para não ficar para atrás, passos de autoridade de quem pode conquistar o mundo. Um vento frio chegou avisando que não poderei firmar os seus passos, podendo apenas continuar saboreando a companhia daqueles que me acompanham e me ensinam a sentir, a me emocionar, enfim percebi que sou meu filho, meu pai, meu avô, na verdade somos aqueles que admiramos.  Felipemeu ip

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

FELIZ NATAL

Boa Noite, nesse ano me aventuro na tarefa de escrever o texto de reflexão da Noite de Natal, pego das mãos da Nelda a possibilidade de descrever alguns sentimentos próprios dessa data, dessa família, das nossas estórias. Para escrevê-lo pensei em ressaltar alguns sentimentos que perpassam a hora do clássico  abraço de “FELIZ NATAL”. Vamos lá:
  Ao trocar abraços, trocamos nossos perfumes, perfumes de pessoas que possuem almas perfumadas. Isso mesmo, nossas almas possuem perfumes, e perfumes capazes de perfumar o outro com o carinho gostoso, aquele quase como abraço de quem amamos com a força da pele. Dizem que as almas só se tocam através de seus perfumes e aquelas que exalam grandes perfumes encantam, conquistam, marcam o outro de maneira tão forte que jamais esqueceremos. O que estou falando não é novidade, Europeus, Indígenas, Africanos, Asiáticos, diferentes povos, em todas as partes do mundo, em praticamente todas as religiões e ritos está presente o perfume como maneira de marcar as benções do amor de deus. Desde o início da humanidade, nós seres humanos, percebemos que as nossas almas possuem perfumes.  A bíblia ressalta em II Coríntios 2:14-17 ”nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo; tanto, nos que são salvos, como nos que se perdem.. Para com este cheiro de morte para morte; para com aquele aroma de vida para vida”.
Que cheiro as nossas almas exalam? Quem elas perfumaram? Quem elas estão perfumando?
Que cheiro bom sinto aqui, obrigado pela minha alma compartilhar tantos cheiros e se imbricar nessas acolhedoras fragrâncias. A minha alma é alegre, porque sempre senti cheiro de felicidade das pessoas que me deram as primeiras essências, os primeiros cheiros. Agradeço por estar aqui cercado de pessoas que possuem cheiro de estrelas, cheiro de magia, cheiro de mar, cheiro de paz. Graças a almas perfumadas que a minha percebeu o cheiro do amor e teve certeza que era sua obrigação também exalá-lo. Estar aqui, nesse natal, é porque sempre que estou aqui sinto cheiro de uma casa que guarda alegria. Quando entro numa casa não preciso ver um cachorro para saber que ele esteve ou está li, somente pelo cheiro já reconheço a sua existência. Desculpa o exemplo grosseiro, mas aqui é da mesma forma, percebo a existência da alegria, reconheço que é aqui o lugar que procuro quando quero receber flores perfumadas de carinho. Somente aqui posso ser apenas filho, irmão e amigo, ser somente eu, simplesmente eu, para receber um afago, um cuidado infantil... Confesso que ao lado de vocês saboreio a delícia do toque suave da paz que as suas presenças sopram na minha alma. Aprendemos a trocar olhares, aprendemos que mesmo não nos olhando podemos contar com o simples carinho. Sei que não possuo a destreza, competência e sensibilidade de descrever as essências das nossas almas, assim pedi a ajuda até esse momento à Drummont, pois ao ler o poema Almas perfumadas refleti e saboreei as nossas marcantes estórias.
Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta. De sol quando acorda. De flor quando ri. Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda.
Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça. Lambuzando o queixo de sorvete. Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher. O tempo é outro. E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver.
Tem gente que tem cheiro de colo de Deus. De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul. Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis. Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo. Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso. Ao lado delas, pode ser Abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.
Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra. Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza. Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria. Recebendo um buquê de carinhos. Abraçando um filhote de urso panda. Tocando com os olhos os olhos da paz. Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave de sua presença soprando nosso coração.
Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa. Do brinquedo que a gente não largava. Do acalanto que o silêncio canta. De passeio no jardim. Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo. Corre em outras veias. Pulsa em outro lugar. Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está conosco, juntinho ao nosso lado.
E a gente ri grande que nem menino arteiro. Tem gente como você que nem percebe como tem a alma perfumada! E que esse perfume é dom de Deus.

Isso mesmo meus caros, sem meias modéstias, compartilho de Drummond, somos almas perfumadas e como é bom perceber esse perfume, como é bom saber que essa fragrância é composta por  um conjunto de essências que aprendi a chamar de família. Que os meus maiores boticários foram os meus pais, sei que eles não aprenderam esse oficio sozinho, tiveram grandes mestres que tenho prazer de poder chamá-los de avós.  . Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo. Ah como sonhei as maiores tolices do mundo e vocês deixaram eu apenas saborear possibilidades de querer viver. Confessem: quantas noites de Natal, quantos presentes conseguimos trocar nesses nossos encontros de janeiro à janeiro. Como diz Nando Reis “Te amarei de janeiro a janeiro. Até o mundo acabar”.
Enquanto muitos estão nessa noite procurando um sentido para ficar acordados, esperando presentes de um Papai Noel, confesso que descobri que eu estou aqui apenas para celebrar os melhores abraços que recebi durante todos esses dias, meses, anos. Somente me perfumo ainda mais nessa noite, somente percebo a minha alma se embriagar das melhores fragrâncias.  Obrigado a todos vocês que  fizeram de mim um apaixonado pelo Natal, de ter o orgulho de sentar e partilhar o alimento, na celebração das melhores coisas que conseguimos construir nas nossas vidas, a nossa amorizidade.


segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Segredo

Qual o segredo do amor? Existe alguma forma? Existe alguma resposta? Mas, afinal, o que faz os seres humanos dedicarem a sua vida a uma paixão, a uma pessoa, a uma luta, a uma escolha. Muitos já pararam, se preocuparam, procurando entender tais questões, mas na sua maioria apenas acabaram com palavras vagas, com fórmulas fantasiosas, com sentimentalismos de livros de autoajuda. Todo o fracasso da procura ocorre porque se quer uma fórmula, montar uma receita de pitadas – um pouco de alegria, uma colher de paciência, dois pacotes de respeito, e tudo isso parece um erro. Não existem fórmulas, não existe receita, não é um quebra-cabeça. O que nos faz ter amor pelas coisas, pela vida, pelo o outro, é o movimento da experiência, da significação. Quase como a argila, isso mesmo, barro moldado. Quando pegamos a argila e procuramos moldá-la, dar forma, apertando de um lado, dando forma no outro, circundando, sentindo, olhando, avaliando, dando forma novamente, puxando, cunhando, rolando pela mão, experimentando formas e não fórmulas e que estamos mais perto do prazer que nos faz diferentes, que nos faz bem, do que nos faz vivo. Mas atenção, não existe fórmulas, assim como também não encontramos formas, ou melhor, fôrmas, apenas temos que nos deliciarmos com o ato de experimentarmos a busca pela cunhagem dos nossos desejos.  Enquanto o barro está mole e é possível moldá-lo, está a aventura, a busca, a magia, a sabedoria, enfim, o prazer. Cuidado, muitos que experimentaram o prazer de perceber a vida como argila, foram enfeitiçados pelo objeto belo, pela criação perfeita, olharam e acharam bom, ficaram contemplando sua criação, porém depois de algum tempo, esquecendo do segredo da argila, tudo ficou seco, apesar de belo, ficou frágil e quebradiço, fugiu das possibilidades das mãos, da capacidade da mudança. Não existem segredos, fórmulas, receitas, mas apenas o movimento de realização, de procura, de criação, talvez nesse momento de cunhagem seja possível nos percebermos realizados. 

- Tenho que voltar a velha mania de guardar as palavras.

- Pensei que podia resolver as coisas com boas idéias.

- Tenho certeza que vou achar no meio dos meus livros coisas inocentemente perdidas.

- tentarei utilizar esse espaço para arquivar as minhas estranhas, engraçadas e confusas frases que insisto em acreditar
- Estou preocupado com o tempo, ele passa totalmente despreocupado comigo. O tempo é tão rápido que não me deixa criar memórias.

- os conceitos estão infinitivamente flexíveis e isso parece ser bom, mas está ficando muito chato conversar.

domingo, 8 de setembro de 2013

A Importância de um Irmão. A família vai crescer

Certa vez, numa conversa que nem fazia parte, escutei:  - Eu quero dar tudo de bom para o meu filho! Mesmo fora da conversa, aquela frase gerou um questionamento imediato. Qual foi o melhor presente que ganhei dos meus pais? Na mesma velocidade, quase como um raio, veio a resposta: MEUS IRMÃOS. Tive a grande felicidade de ter PAIS corajosos, na verdade muito corajosos, pois constituíram uma família que para muitos é uma loucura – sete filhos. Sou grato por essa loucura, porque tudo que sou; todas as alegrias que vivi, os momentos mais gratificantes, todos os saberes que aprendi, ocorreram na convivência diária com nove pessoas, que com muita sabedoria, tinham a receita da amorosa convivência: a partilha. Constitui-me na partilha, por exemplo, a roupa era minha no período em que me servia, logo após era do meu irmão, o doce, o bolo, a bicicleta, o carrinho, a chuteira, a bola, o terno, o carro do pai, as preocupações, o carinho, o dinheiro para ir para festa, o tempo, os  bolinhos de batata, enfim, me constitui tendo sempre os meus irmãos do lado. Isso é muito importante para mim,  a minha essência está naquilo tudo que compartilhei com os meus irmãos. Fazendo parte dessa grata loucura, não poderia furtar a pessoa que mais amo dessa linda experiência, da experiência da troca, da cumplicidade, da partilha, da família. Sou filho, sou irmão, sou pai. Agora tenho a grande alegria de dar esse mesmo presente para o meu filho. Isso mesmo o Murilo, agora é filho e irmão, lá no inicio de maio ele vai começar a descobrir a alegria de ter um irmãozinho.  

domingo, 12 de maio de 2013

Uma tentativa de escrever para minha mãe


Para mim, escrever sobre as mães é muito difícil, por acreditar que ser mãe, não é instinto, que existem diferentes mães, que existe um grande abismo, entre mulheres que tiveram e criaram seus filhos e mulheres que realmente exercitaram a tarefa de ser mãe. A palavra mãe, assim como liberdade, igualdade, amor, educação, respeito, luta e outras inúmeras palavras perderam sentido na sociedade atual, pois pessoas e grupos sociais se apropriaram de discursos e sentimentos para minimizar e confundir seus sentidos até que não haja mais mobilização e compreensão do que realmente é importante para nossa existência como individuo subjetivo e objetivo. Exemplo disso: são pessoas que não conseguem falar da importância de sua mãe sem cair em discursos midiáticos, sem conseguir fugir do senso comum, como se todas as mães fossem iguais e tivessem a mesma “divina” dedicação. Sinto muito, mas a minha mãe não descrevo assim, não vejo a minha mãe igual as outras – nem mais e nem menos – não comparo com as outras, porém para mim é de extrema importância agradecer não só a sua dedicação, mas sua sensibilidade de aprender com a vida em construção. Mulher sem receitas, sem verdades, com um monte de medos e acima de tudo, com monte de dúvidas de como se deve cuidar de uma vida.
 O que ela fez de mais sensacional foi perceber que cada vida é uma aprendizagem, que cada sujeito precisa de experiências amorosas para se constituir um ser com olhar atento para o outro. Não amo minha mãe por acaso, foi ela que me ensinou, mas o mérito maior não foi ter apenas ensinado, foi perceber a beleza de sujeitos em construção, de ficar atenta na ânsia das crianças de interagirem com o mundo e com o outro, de não desperdiçar a possibilidade de ser cada vez melhor no contato com um ser que precisa dela para se constituir. A minha mãe é assim, sensibilidade aventureira de criar e recriar sujeitos, de viver e possibilitar experiências, de não desperdiçar a capacidade de ser melhor na vivência de ser mãe. A minha mãe é uma grande mulher porque sempre teve a atenção e compromisso com a vida, não só dos seus filhos, mas com eles aprendeu e ensinou a maior potencialidade de amar o outro.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

A estrada deve ser de areia, mas a cidade tem que ser de pedra.



A minha estrada pode ser de areia, mas a minha cidade tem que ser de pedra. Posso ter criados muitos caminhos e ter vividos alguns, quem sabe alguns poucos caminhos, mas eles foram de areia, sinuosos, pegadas marcadas, grãos que se movimentaram e até alguns se prenderam nos pés que ousaram caminhar. O caminho não foi trilhado, o caminho surgiu no passo marcado na areia, não houve destino que delineasse onde se deveria ir, apenas sorte existiu para construir belas pegadas que levam para a minha cidade.
A minha cidade sim, ela é de pedra, é nela que descanso, que posso firmar tudo que trago da aventura de caminhar. É nela que guardo as melhores palavras, que saboreio os melhores sentimentos, é nela que consigo segurar as minhas conquistas e meus sonhos. Melhor de tudo, é nela que sacio a paz.
Grãos de areia não geram árvores de pedras. Grãos de areia são somente grãos, eles não servem para fixar, sustentar, eles se movem ao comando do vento desafiando o destino. Todos sabem que é muito difícil guardar grãos de areia, sempre os perdemos por meios dos dedos, mas é essa fuga sorrateira que é gostosa, o prazer esta em segurá-lo, esfregá-lo, senti-lo, sabendo que não terei a capacidade de guardá-los, que apenas o vento será capaz de tomar “conta”.
Construo a cidade de pedra para acolher e proteger aqueles que amo, aqueles que  sei que não passam, que permanecem fazendo sentido na minha vida, que dão potencialidade a tudo de bom que tenho e gosto de ser. Preciso de estradas de areia para buscar encontros e necessito da cidade de pedra para estar com tudo que amo.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

As coisas perdem intimidas



É difícil perceber que as coisas perdem intimidade, até aquelas que um dia foram muito próximas, algo impressionantemente presente e intenso pode lentamente ou num piscar de olhos perder intimidade. Sei que esta palavra intimidade é difícil de ser definida, pois só ocorre na complexidade das relações, e quando falo relação é a das mais variáveis possíveis. Poderia utilizar a perda da intimidade no sexo como exemplo dessa reflexão, mas seria um texto muito sofrido, pois perceber que o sexo da pessoa amada ou que um dia foi amado perde intimidade e que o toque não revela mais sentimentos é muito angustiante. É muito comum perdemos intimidade daqueles ou daquilo que nos afastamos, penso no encontro de dois irmão que viveram intensas aventuras nas suas primeiras e significativas fazes de vida e agora, adultos, depois de um longo período distantes, se reencontram e percebem que somente sobrou lembranças e muita pouca intimidade, muitas histórias antigas e pouco assunto e cumplicidades.
A distância não precisa ser física, uma viagem, uma separação de anos, uma troca de cidade, a distância pode ocorrer nas barreiras do cotidiano, impostas ou postas por aqueles que se aventuram na arte da convivência. O processo de perda, também não precisa ser lento, como ocorre com muitos casais, que vão desgastando suas relações e num instante de lucidez percebem não reconhecer o outro do seu lado – nesse momento o convívio de anos com uma pessoa indiferente se revela num grande arrepio de estranheza. A intimidade pode ir embora num passe de mágica, sim, porque a intimidade está intensamente ligado com a vivência, se você nega o outro de vivenciar algo contigo, saibas que estas perdendo intimidade. A experiência mais simples que seja, um sorriso, uma história engraçada, ou não engraçada, quando não é compartilhada deixa cada vez mais escondido nossa existência, nossa maneira de interagir com as coisas, com as histórias, com as pessoas. 
O grande segredo da intimidade é deixar-se revelar como somos capazes de nos comunicarmos com tudo que nos rodeia. Não precisamos gostar ou fazer tudo o que o outro deseja e vivencia, mas precisamos experimentar experiências que nos leva ao contato com a intimidade, com a capacidade afetuosa daquele com que estamos trocando experiências. Por isso que é importante guardamos com carinho todos aqueles que um dia nos foram íntimos, mesmo depois da perda da intimidade, pois essa pessoa um dia te conheceu na sua persona intima, percebeu como os sentimentos passam por dentro de ti. Alguns desses devemos sempre chamar de amigos, outros apenas guardar com carinho por ter estado perto quando acabamos, querendo ou não, revelando nosso intimo.


domingo, 26 de agosto de 2012

Educadores que se acostumam. Licença a Colassante




Eu sei que a gente se acostuma.
Mas não devia.
A gente se acostuma com a escola
com salas frias, tristes e gradeadas,
com tudo ao redor.
E porque não aparenta uma escola
logo se acostuma a não olhar para ela.
E porque não olha para ela logo se acostuma
e acha que tudo é normal.
E porque que tudo é normal
se acostuma a fazer tudo igual.
E a medida que se acostuma, perde o prazer,
esquece o que o levou a estar lá, esquece a alegria de educar..
A gente se acostuma a acordar de manhã
sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A separar a página do livro no ônibus (lancha) porque esqueceu de planejar...
A gente se acostuma a iniciar aula rezando para acabar.
A comer bolachinha água e sal no intervalo para não engordar.
A sair do trabalho pensando quando vai se aposentar.
A olhar a Globo para poder comentar em aula.
A deitar e pensar: amanhã tudo de novo.
A gente se acostuma a abrir os livros
e a ler sobre nos mesmos.
E aceitando tudo, modificando nada,
sempre há professores piores.
E aceitando os piores,
acredita que sua prática é boa.
E se é boa não precisa de mudança,
aceita a fazer todo dia o que fez a anos.
A gente se acostuma a esperar pelo milagre
do dia que a escola vai mudar:
A dar aula para alunos sem
vontade de aprender.
A ser ignorado quando
precisa de ajuda.

Eu sei que a gente se acostuma.
Mas não devia.

sábado, 18 de agosto de 2012


Ainda sobre os dias dos Pais


Caminhando, caminhando pela rua, eu e o meu filho, de repente parece que já havia vivido aquilo, aquela velha impressão que todos temos, aquela que o cérebro parece produzir uma memória do presente. Mas quase como um raio, surgiu a visão do meu avô caminhando do meu lado, conversando, contando suas histórias, que até hoje não sei se eram reais, ou se ele criava para me fazer viajar na sua particularidade de perceber e ler o mundo. Meu avô, sempre tinha uma boa história na ponta da língua que me fazia imaginar diferentes possibilidades de compreender as coisas da vida. Mais três passos, ao piscar, já estava do lado do meu pai, em silêncio com as duas mãos no bolso e com um baixo assovio, bateu em mim uma vontade de falar algo, mas não sabia o que falar, pois sempre caminhei do lado do meu pai com um estranho sentimento de ser grande, de admiração. O pai sempre andava de carro e quando saíamos numa caminhada era algo que deveria ser saboreado. Mais alguns passos, ali estava eu com meu filho, no seu rosto um intrigante sorriso de satisfação, de força. Parecia aquela pessoa que conquista algo inusitado, aqueles dias que conquistamos o primeiro beijo, o primeiro boletim sem vermelho, caminhava como uma criança que recebeu a primeira medalha. Sei que é muito provável que esses passos não fiquem na sua memória, mas desejo que um dia ela perceba o prazer de estar do lado, simplesmente do lado, ombro a ombro, com as pessoas que admiramos, amamos, pessoas que não só foram responsáveis por aquilo que temos de bom, mas que  ensinam a construir a caixa onde guardamos as nossas  melhores emoções. Senti uma forte vontade de pegá-lo no colo, mas compreendi que não podia cortar seus passos pequenos e atentos, passos preocupados para não ficar para atrás, passos de autoridade de quem pode conquistar o mundo. Um vento frio chegou avisando que não poderei firmar os seus passos, podendo apenas continuar saboreando a companhia daqueles que me acompanham e me ensinam a sentir, a me emocionar, enfim percebi que sou meu filho, meu pai, meu avô, na verdade somos aqueles que admiramos. 

Felipe

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Saudades do Murilo

Depois de estar todos os dias e horas do lado do meu filho nas férias, agora no primeiro dia de trabalho, deu uma saudade e acabei lendo alguns textos antigos e o mais antigo foi no dia seguinte de saber que a Letícia estava gravida. Foi assim:

Esperado que já surgiu

Surgiu,

Foi inesperado.

Na verdade, quase inesperado.

Era previsto, mas agora,

Foi Inesperado.

Achei que sabia,

Que era capaz de prever a noticia.

Mas, na hora... Surpresa.

È, na verdade foi inesperado.

Surgiu a noticia.

A notícia quase prevista.

Algo inesperado surgiu,

Surgiu como recado.

Um recado! Quase uma previsão:

“O inesperado precisa ser esperado.”

Já surgiu, já está presente.

Espere agora nove meses.

O inesperado, agora está sendo muito aguardado,

Aguardado com anseios, com sonhos, com apego.

Parece um enigma: espere!

Para saciar, sonhar, pegar.

É inesperada a vontade de não mais esperar

Quero que surja, o esperado,

Na verdade o esperado que já surgiu na minha vida.

Um anúncio que já pulsa

Que também espera o inesperado, o inexpiável.

Aguardo milhares de inexplicáveis milagres.

Pequenos feitos na espera de chegar.

De surgir para os que esperam,

Calma aí, mas ele não era inesperado?

Era, mas agora...

Inesperado é a grande vontade de vê-lo

Como quero que esteja nos meus braços

Mostrando o mundo,

Brincando, festejando a vida

Novas e belas vidas que ganham vivacidade

Como é difícil ter que aguardá-lo


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Cadê a verdade?

Faz tempo que não deixo a verdade adivinhar para mim o que esta certo ou errado. Isso é bom, não precisar de muitas verdades ou de mentiras, apenas tentar perceber que as histórias existem ou deixam de existir na mesma medida que desejamos tê-las . Viver sem ter a condição de convencer, mas quem sabe num diálogo mostrar e perceber pontos de vistas e sensações parece ser prazeroso

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Merecer, não é conseguir.

Merecer, não é conseguir. Alguns conseguem, outros conseguem por méritos próprios, por serem bons, por serem comprometidos com os outros e não com alguém. Como é bom torcer para os bons, para os que lutam, que tem história, coragem e alegria. Como é bom o gosto da vitória conquistada por aqueles que você mais gosta. O mais engraçado é que o maior concorrente, no final das contas, para essas pessoas, são elas mesmas. Vencer o pior inimigo, o medo, pois o mundo sempre tenta convencer os bons que eles são fracos, que eles precisam de ajuda, de se sujeitar aos pseudos mais fortes, aos falsos padrinhos, a venda de favores, aos compradores de almas. Porém, os bons sabem que os sonhos não têm parâmetros, eles não caem na armadilha sutil do não tentar. Arriscam e ao arriscar provam, sem precisar, que ainda ser bom é gratificante, pois esses podem gritar, pular e curtir cada conquista com muita verdade. No final recebem beijos dos amigos em vez de dar abraços aos coveiros da consciência.
Frases para Cris Troina e Rita Germano - nossas futuras mestres da educação

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Olhando o pouco do tudo

Muita coisa poderia ter acontecido,

muita coisa aconteceu,

muito pouco conto de tudo,

porém o pouco conto como muito

Conheci muitas pessoas,

com elas eu aprendi,

aprendi que pouco a pouco vemos muito,

mas pouco sabemos contar.

Existem muitas palavras,

mas pouco delas podem explicar:

o quanto de tudo que vivo,

o quanto da vida posso falar.

Olho para o outro e escuto:

sopros de vida a me ensinar

que da vida só aprendemos

aquilo que temos coragem de olhar.

Felipe Santos

A festa das palavras

A festa das palavras


Não há uma palavra
que não esteja atenta,

talvez esse seja o problema.
Cada palavra dita
convida outra para explicar
o que uma não diz
duas talvez possam narrar.


Foram tantos convites,

palavras não param de chegar.
O problema ficou grande
e as palavras começam a se cruzar
A confusão esta formada
A festa, agora, parece nunca mais parar.

Felipe Santos

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Acreditar

Acreditar naquilo que sou capaz de escrever é escrever palavras que me deixam inventar pequenas e aventureiras mentiras. Acreditar naquilo que sou capaz de sentir é querer embriagar-se de vivacidades é querer extrapolar as medíocres limitações impostas pelo corpo frio e cego de quem não busca o toque. Acreditar na capacidade de ler olhares é a necessidade da busca de conhecer a alma e deixá-la enamorar-se pela simplicidade da vida humana, das composições dos seres que deixam os mais atentos poetas apaixonados.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

CHATO QUE ME TRANSFORMEI

Falando com amigos numa roda de bar, o assunto assustadoramente chegou no infindável e inútil possibilidade de tentar enquadrar um chato. Porém, diante de tantas perspectivas e certezas de diferentes vozes dos amigos fui percebendo que me transformei num legítimo chato, no entanto como todo chato tenho desculpa para todos os meus nobres adjetivos.


Quando conversamos com um chato é claro que ele tem resposta para tudo, Eu sou assim, mas tenho motivos para dar meu pitaco, sou professor de história e juntando uma informação daqui uma dali quase sempre posso tentar ajudar a explicar algo.


Quando conversamos com um chato ele sempre conhece alguém que viveu algo parecido ou mais extraordinário que a história contada por alguém na roda do shop. É eu sou assim, sempre tenho alguma história para contar sobre o assunto que está na mesa, mas eu não tenho culpa de ter uma família grande com 6 irmãos, 17 tios e mais de cinqüenta primos, sem contar os agregados e os inúmeros amigos e os amigos dos amigos.


Todo chato quando deixa o assunto bom esquece o nome do protoganista do filme, da amante do chefe, enfim o nome essencial da história. Esse talvez seja o meu pior adjetivo, o esquecimento, esqueço nomes de tudo; de filmes, de músicas, das namoradas, realmente de tudo, é só ter nome próprio na conversa, a informação ficou perdida e a história perde a chance de ser interessante.


Como todo chato não conheço todas as minhas chatices e assim fico pensando alto, costume típico de um chato, em qual seria as outras chatices que incomodam. Lembrei, não parar de falar do mesmo assunto.

Olhares moventes, olhares que se modificam com diferentes olhares nas mesmas ou em novas perspectivas.